Arquivo para Dezembro, 2008

Compreenda.

dog

- Você substitui uma tristeza por outra. – disse ele certa vez.

- Como assim?

- Essa história de depressão. Quando você está triste por algum motivo, fica pelos cantos, cabisbaixa, ensimesmada e choramingando. Porém, quando o problema parece estar resolvido, você logo arruma outra razão para continuar triste. Não consigo entender isso.

Encarei-o por alguns segundos, piscando. Como com tão pouco ele foi capaz de sintetizar seis anos da minha vida? Se qualquer outra pessoa tivesse proferido tais palavras, eu jamais teria dado crédito, se quer liberdade para divulgar a opinião que fosse ao meu respeito. Mas nesse caso só me restava aceitar, afinal de contas a opinião da pessoa mais importante do mundo deve ter algum valor. Mesmo assim, tentei dissuadi-lo.

- É fácil para você pensar assim. Você não está na minha pele. Isso é uma doença, não uma questão de escolha.

- Pode ser. Mas você deve compreender que eu nunca passei por isso, nunca houve ao menos alguém da minha família que tivesse. Eu só estou tentando entender.

Mantive-me calada sem dar o braço a torcer. Ele compreendeu tudo. Eu é que não.

Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia.

the_bitter_end

Parafraseando Shakespeare, assim começo o post de hoje – ou do mês, quiçá de mais um ano. Não li essa frase nas obras do poeta e dramaturgo inglês, mas sim no último livro que li – “O Milagre”, de Irvin Wallace. Agora sei de onde vêm algumas das maiores inspirações de Dan Brown, apesar de achar que este tem mais emoção e aquele mais criatividade.

~*~

Há aproximadamente quatro anos, anualmente minha vida sofre uma reviravolta ou uma grande mudança de cidade, instituição de ensino, amigos e conseqüentemente (neste blog o trema prevalecerá para sempre) de rotina. Obviamente, a escolha é sempre minha ou a perspectiva de novos horizontes me convence de que o melhor é recomeçar – e dá-lhe “re” nesse começar -, porém não é raro quando eu dou-me conta de que talvez eu tenha ido longe demais e que mais uma vez vou deixar algo inacabado.

O grande mistério que ponho em questão no título é: por quê é tão difícil decidir o que é melhor dentre tantas possibilidades de ser infeliz? Infeliz, claro, pois se fosse fácil escolher o melhor caminho para a plena satisfação pessoal e a felicidade eterna, não encontraríamos tantas pessoas se arrependendo do que não fizeram ou das escolhas que não tomaram. “E se…”.

Dizem que sou uma grande “abandonista”. Talvez estejam certos. Ou talvez faltem-me os pés no chão. Ou ainda falte-me tomar vergonha na cara. Sempre acreditei que esse meu espírito pouco arraigado às pessoas e às coisas fosse um bom sinal, já que eu não sofreria tanto com mudanças abruptas, tanto para pior quanto para melhor, e que minha personalidade flexível e altamente adaptável fosse de grande valia para novos  empregos, novos ambientes etc. Hoje vejo que eu poderia ser mais moderada nesse meu jeito aventureiro e pouco conseqüente. Tudo que eu quero agora é cumprir minhas promessas e concluir aquilo que eu comecei, custe o que custar. Mas será que no meio do caminho eu não vou pensar duas vezes em continuar? Ou não continuar? Ou quem sabe tudo isso não passa de um simples medo de concluir e não saber o que fazer depois?

Ou será o medo de crescer?

Hum.